Aspectos Gerais da Europa do Século XII  

POLÍTICA

A Inglaterra é conquistada pela Normandia, pelo duque Guilherme, e a aristocracia anglo-saxônica é substituída por uma de origem francesa.

Na Espanha o poder muçulmano declinava, com isso os reis cristãos do norte, aproveitaram-se para conquistar territórios vizinhos, com auxílio da França. Os reis de Leão e de Castela ficaram com Toledo e a região conhecida como Portugal , e o rei de Aragão com Saragoça.

Neste contexto, o Papa  proibiu que os príncepes leigos nomeassem bispos e abades, entrando em choque com o imperador alemão. O Papa Gregório VII, excomungou o rei Henrique IV (Plantageneta), deu-se então, a questão das Investiduras, gerando um grande conflito, que ficou parcialmente resolvido em 1122, pela Concordata de Worms.

No oriente, ameaçado pela invasão dos turcos, o imperador de Constantinopla pede auxílio aos reis cristãos. O Papa Urbano Convoca um concílio, onde prega a Guerra Santa, para libertar o Santo Sepulcro. Os voluntários recebiam uma cruz cozida na roupa, daí surgiu  a denominação cruzados e a  primeira Cruzada. As Cruzadas permeiam todo o século XII.

A guerra entre o Papa e o Imperador recomeçam, por causa de uma rivalidade entre duas famílias alemãs e entre duas cidades italianas.

A Inglaterra passa a uma família de príncipes franceses, que por heranças e casamentos eram senhores de quase todas as províncias francesas do oeste. O rei francês era superior ao rei inglês, que era seu vassalo, por causa das províncias francesas, mas inferior em riqueza e poder. Essa situação deu origem a uma guerra entre Felipe Augusto, da França e Ricardo, da Inglaterra.
 

CULTURA

A França Capetíngia do século XII, impõe-se aos seus vizinhos, pela sua força criadora e construtora, pela sua arte e pensamento, é enfim o “guia da Europa”.

Durante este período, a França, sofre grandes evoluções políticas, econômicas, religiosas e intelectuais, e tais avanços repercutem por toda a Europa, ou melhor dizendo, sobre todo o Ocidente. O centro irradiador de toda esta transformação é Paris, é lá que todas as trocas são realizadas, pois a localização geográfica, atua como sua aliada. É neste ambiente que o homem medieval atinge sua plenitude intelectual.

Mas a França não está só, a Inglaterra é sua estreita colaboradora, pois sem a tradição anglo-normanda e o espírito celta de sonho e  mistério, o que seria  da literatura francesa, por certo o romance não teria nascido no século XII. É claro, ainda, é difícil perceber dentre as duas, qual deu origem ao estilo gótico. E, por fim, o gosto pela experimentação inglês.

A Espanha colabora também no estilo gótico, com as nervuras cruzadas. A lógica e as traduções, que tornaram possível os contatos com os escritos dos médicos, matemáticos, naturalistas, geógrafos e os filósofos gregos, árabes e judeus.
A Itália, colabora com a “migração”de seus intelectuais, atraídos pelo sossego francês.

A França engloba todas estas realizações intelectuais e torna-se a síntese de todo o pensamento europeu medieval
 
 

RELIGIÃO

O século XII  é marcado por profundas crises internas. A situação do clero, em toda a sua hierarquia  é lastimável. As nomeações dos cargos geram em torno de interesses. Já que tudo pertence ao monarca, estes escolhem titulares entre os fiéis, que melhor sirvam aos seus interesses, são vassalos do seu senhor, não há uma vocação.

O movimento de reforma da Igreja, tem seu início nas abadias. Os reformadores agiam Por iniciativa própria. Durante o século XI, a situação, os cuidados, os homens e as idéias atraem cada vez mais as atenções do papado sobre a noção de liberdade. Agora, este tem a responsabilidade sobre o “rebanho”, e deve dar conta disto a Deus.. Com este argumento vão exercer poder sobre os imperadores e suas decisões, mesmo no que se trata de política, e de os advertir quando ferem a moral ou lesam os interesses da religião e, se estes não cumprem as suas obrigações , o Papa pode os depor  e desligar os súditos do juramento de fidelidade. Estas atitudes acarretam grandes e graves repercussões políticas, como já foi relatado.

Essa reforma moral e institucional, liberta o clero das ambições materiais, reacendendo o gosto pela especulação. A afloração das ordens religiosas, e o desejo de reconduzir a igreja a suas origens, tem como resultado o despertar da erudição, e o preparo do espírito para o raciocínio.

 

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