O Amor Cortês

 

  O  amor cortês trata da relação entre um homem e uma mulher: onde a mulher é uma dama, que também significa que ela é casada e, o homem é um celibatário, que se interessa por ela.

        Tudo começa por um olhar lançado, “é uma flecha que penetra pelos olhos, e crava-se no coração, incendeio-o, traz-lhe o fogo do desejo”. Este homem, então, ferido de amor (no sentido carnal), sonha apoderar-se desta mulher. Essa mulher é muitas vezes esposa de seu próprio senhor, portanto é dona da casa que este freqüenta, ou seja, ela está hierarquicamente acima dele, é seu vassalo. Por ela, deixa de ser livre.

        O amor cortês é um jogo, cujo mestre é o homem. A dama é uma peça fundamental, porém é mulher e não dispõe livremente do seu corpo, que pertenceu, primeiramente a seu pai, agora é de seu esposo. Carrega nele a honra deste esposo, Por esse motivo ela é altamente vigiada.

        Sem privacidade nos castelos, ao menor deslize, esta mulher é acusada, por ser frágil e fraca. É passível dos piores castigos, os quais seu cúmplice corre o risco de recebe-los.

        Neste jogo, o mais excitante eram os perigos, o amor cortês era uma aventura, permeado por códigos secretos, discrição, olhares furtivos e pela ânsia de estarem junto com esta dama “num jardim secreto”.

        Os homens esperam pelos favores que essas damas  podem lhe conceder, e tais favores eram concedidos em etapas: primeiro um abraço, depois ela deixava beijar-se... A espera, que é muito descrita pelos trovadores era uma prova decisiva para se chegar a proximidade carnal. Mas estes homens continham seus ímpetos, pois deveriam manter o controle sobre seu corpo, fazendo com que esta situação se arrastasse indefinidamente. Então, o homem deseja a espera, o seu prazer atinge o clímax neste desejo, tornando o amor cortês onírico, ou seja, um sonho.

        O amor cortês, serviu então, para consolidação da ordem moral, que se fundava em duas virtudes: moderação e amizade.
O cavaleiro deveria dominar-se, controlar suas paixões, principalmente as que tinham apelo carnal. Com este tipo de procedimento, reprimia-se o rapto de donzelas, substituindo tal ato pelo cortejamento, os homens utilizariam-se do ritual “honesto” para conquistar as mulheres.

        A amizade, vinha logo a seguir, porém o seu significado difere do atual. Nesta época “amizade” fazia contraponto com a palavra amor, onde os cavaleiros e vice-versa nomeavam seus alvos como “amigo”.

        Os cavaleiros, decididos a servir esta “amiga”, esqueciam de si próprios, eram fiéis, abnegados ao seu serviço,, em síntese, tornavam-se seus vassalos.

        Nesse sentido, os cavaleiros vinham a reforçar a ética vassálica, que nesta época era o alicerce da política, consolidando assim, o Estado Feudal.

        O exercício deste amor cortês, vinha evidenciar, realçar os valores viris dos cavaleiros. Fazendo com que estes se redobrassem em coragem, e esta coragem era posta à prova nos vários torneios a que participavam. A prática do amor cortês, tornou-se útil, e logo difundiu-se. Construído para agradar  cavaleiros sem esposas, o modelo punha face a face, na sua forma mais antiga, um homem celibatário e uma mulher casada.

        Mas, pelo efeito que a literatura de corte, a da refração de seus temas sobre os comportamento, logo foram abertos espaços à donzelas e aos maridos.

        Então, ao final do século XII, na França Capetíngia, os ritos de cortesia transformaram-se prelúdios ao casamento.

 

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